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	<title>Última Divisão</title>
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	<description>Histórias a contar, personagens a descobrir</description>
	<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 22:14:54 +0000</pubDate>
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		<title>As várias chances de Ciel</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 22:14:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emanuel Colombari</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[O ASA faz campanha razoável na Série B do Campeonato Brasileiro. Nas 14 primeiras rodadas, conseguiu seis vitórias – a última delas, um 2 a 0 sobre o Santo André em Arapiraca. E o primeiro gol do jogo foi marcado por um meia-atacante que tem talento com a bola na mesma proporção que tem para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ASA faz campanha razoável na Série B do Campeonato Brasileiro. Nas 14 primeiras rodadas, conseguiu seis vitórias – a última delas, um 2 a 0 sobre o Santo André em Arapiraca. E o primeiro gol do jogo foi marcado por um meia-atacante que tem talento com a bola na mesma proporção que tem para aparecer em confusões: Ciel.</p>
<p><span id="more-931"></span>Revelado nas categorias de base do Santa Cruz, Ciel rodou por clubes como Juazeiro-CE e Salgueiro-PE em seus primeiros anos. Em 2007, destacou-se pelo Icasa ao marcar oito gols em 22 jogos no Campeonato Cearense. No mesmo ano, chegou ao Ceará, onde começou a se firmar, ganhando a chance de disputar sua primeira Série B. Ali, sem ser titular, marcou três gols ao longo da competição.</p>
<p>No mesmo ano, foi para a Coreia do Sul, de onde retornou em 2008. Passou novamente pelo Icasa e voltou ao Ceará. Apareceu novamente bem no clube alvinegro, marcando quatro gols nas primeiras rodadas da Série B. Aí, eis que surgiu a grande chance de Ciel: em setembro, o Fluminense anunciou o interesse no jogador, indicado pelo técnico Cuca.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-933  aligncenter" title="ciel_fluminense_globoesporte" src="http://www.tirolivre.com/ultimadivisao/wp-content/uploads/2010/08/ciel_fluminense_globoesporte.jpg" alt="ciel_fluminense_globoesporte" width="291" height="218" /></p>
<p>Porém, apareceram também os problemas de disciplina de Ciel, que já eram mais do que conhecidos entre os torcedores cearenses. Antes do acerto com o Fluminense, o meia havia sido dispensado quatro vezes em oito meses - a última delas, um mês antes de sua ida para as Laranjeiras. Em todas, fora reintegrado por pressão da torcida e dos colegas.</p>
<p>“Os atletas me fizeram ver que o clube não poderia ser punido com a ausência dele. É um caso complicado. O Ciel sofre da doença do alcoolismo e vamos estudar qual a melhor maneira de tratá-lo, com um profissional adequado ou até mesmo o levando para o AA (Alcoólicos Anônimos)”, disse o presidente do Ceará na época, Evandro Leitão, em entrevista ao jornal <a href="http://oglobo.globo.com/esportes/Brasileiro2008/mat/2008/09/07/fluminense_acerta_com_atacante_ciel_afastado_quatro_vezes_do_ceara_por_alcoolismo-548123087.asp" target="_blank"><em>Diário do Nordeste</em></a>.</p>
<p>Então técnico da equipe, Lula Pereira também se mostrava preocupado. “O Ciel é um doente, alguém que precisa de tratamento clínico. Ele é um sujeito fantástico, extraordinário. Só faz mal a ele mesmo”, concordou.</p>
<p>Mas Ciel não vingou no Fluminense. Segundo a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jociel_Ferreira_da_Silva" target="_blank">Wikipédia</a>, foram apenas sete jogos entre 2008 e 2009. Com poucas oportunidades, foi dispensado pelo clube e sondado pelo Fortaleza, mas acabou acertando com o América-RN em março para a disputa do Campeonato Potiguar de 2009. Porém, não demorou a se envolver em nova confusão: no mês seguinte, foi preso por agressão em Natal.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://vermelhodepaixao.blogspot.com/2009/03/ciel-e-do-mecao.html" target="_blank"><img class="size-medium wp-image-934  aligncenter" title="ciel_america_rn" src="http://www.tirolivre.com/ultimadivisao/wp-content/uploads/2010/08/ciel_america_rn-300x210.jpg" alt="ciel_america_rn" width="300" height="210" /></a></p>
<p>Na ocasião, <a href="http://www.dnonline.com.br/ver_noticia/6962/" target="_blank">segundo o jornal <em>Diário de Natal</em></a>, o jogador - que aparentava sinais de embriaguez - se envolveu em briga com uma garota de programa, quebrou o retrovisor de um táxi e desacatou os policiais. Foi algemado e levado à delegacia gritando vários palavrões. Porém, assinou um termo de compromisso e foi liberado horas depois.</p>
<p>O ambiente no Mecão ficou ruim para Ciel, dispensado em maio, pouco tempo depois do término do Campeonato Potiguar. O jogador voltou então para o Ceará, indicado pelo técnico PC Gusmão, mas não encontrou segurança nem mesmo em seu porto seguro, e foi dispensado do clube alvinegro já em junho, quando tinha apenas um jogo disputado na Série B. Motivo: <a href="http://esportes.terra.com.br/futebol/brasileiro/2009/interna/0,,OI3836243-EI13760,00.html" target="_blank">faltou a um treino</a>, o que já era previsto em cláusula de seu contrato. Era a segunda demissão em três meses.</p>
<p>Veio então a chance de ouro para o problemático meia-atacante: um contrato de dois anos com o Paços de Ferreira, que disputava a primeira divisão do Campeonato Português e a Liga Europa. Na Península Ibérica, esperava-se que a carreira do pernambucano finalmente encontrasse tranquilidade, deixando seu futebol transparecer.</p>
<p>Mas não foi o que aconteceu. Logo no começo da temporada 2009/2010, segundo a imprensa portuguesa, Ciel exagerou na bebida antes de um treino da equipe e teve que deixar a atividade ao se sentir mal. O clube auriverde, que também havia colocado em contrato a possibilidade de uma rescisão unilateral em caso de problemas disciplinares, não pensou duas vezes: anunciou já em agosto a saída de seu reforço.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL1258801-9842,00.html" target="_blank"><img class="size-full wp-image-935  aligncenter" title="ciel_abola_globoesporte" src="http://www.tirolivre.com/ultimadivisao/wp-content/uploads/2010/08/ciel_abola_globoesporte.jpg" alt="ciel_abola_globoesporte" width="291" height="218" /></a></p>
<p>A história irritou o jogador. “Não teve nada de passar mal. Falaram que eu cheguei bêbado, que eu não podia nem andar&#8230; Isso é mentira. Isso seria falta de profissionalismo, nunca fiz isso. Já cheguei de ressaca em treino, isso já aconteceu, mas chegar bêbado não. A imprensa gosta de mim, eles estão sempre atrás de mim. Até fora do Brasil! Procurei os jornalistas aqui no clube para saber de onde saiu essa história, mas não encontrei”, contou Ciel ao site <em>GloboEsporte.com</em>, negando a tal cláusula contratual. “Eu li a minha cópia e não tem nada disso.”</p>
<p>Como nas outras ocasiões, o jogador se disse arrependido e revelou que seu histórico problemático era antigo. “Quando virei profissional, com 17 anos, comecei a beber. Ia bem no Santa Cruz, fazia gols, me empolguei e isso aconteceu. Mas quero sair disso. Vejo muita gente se afastando de mim por causa disso”, disse Ciel.</p>
<p>O presidente do Paços de Ferreira, Fernando Sequeira, decidiu então dar uma <a href="http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/portugues/0,,MUL1257889-9850,00.html" target="_blank">segunda chance</a> ao jogador. Mas em dezembro de 2009, o Paços de Ferreira enfim <a href="http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/portugues/0,,MUL1424220-9850,00.html" target="_blank">rescindiu</a> o contrato do atacante – ao que tudo indica, pelos mesmos problemas de antes. Foram dez jogos, sem marcar gols.</p>
<p>Veio então mais uma chance, mais modesta: Ciel foi anunciado em janeiro de 2010 pelo <a href="http://www.radiocaicara.com/guarany/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=106:atacante-ciel-e-o-novo-reforco-do-guarany&amp;catid=35:guarany-de-sobral&amp;Itemid=1" target="_blank">Guarany de Sobral-CE</a>, no qual faria dupla de ataque com outro jogador conhecido pelas confusões extracampo: Clodoaldo. No Junco, entretanto, Ciel adiou sua apresentação, até que surgissem <a href="http://esportes.jangadeiroonline.com.br/campeonato-cearense-2/voce-viu-o-ciel-por-ai-7818/" target="_blank">boatos</a> de que havia sofrido um acidente de carro em Fortaleza. Verdade ou não, foi confirmado pelo Corinthians-AL em fevereiro para a disputa do Campeonato Alagoano. Desta vez, se apresentou, ganhou a camisa 10 e marcou quatro gols na competição – o artilheiro foi Wellington, que fez 14 para o CRB.</p>
<p>A boa impressão no Alagoano, marcando gols e adotando uma postura mais tranquila nos bastidores, valeu a Ciel uma vaga no ASA, que <a href="http://verdesmares.globo.com/v3/canais/noticias.asp?codigo=289439&amp;modulo=173" target="_blank">contratou o atacante em abril</a>. E o começo não foi ruim: fez um gol na estreia (1 a 1 contra a Ponte Preta em Campinas), e dois na segunda rodada (4 a 1 contra o Sport em Arapiraca). Porém, na quarta rodada, se machucou e foi para o estaleiro alvinegro.</p>
<p>E Ciel aprontou outra. Em 12 de julho, o jogador teria chegado à concentração do clube em um hotel sob efeito de bebidas. Chorou, pediu desculpas e fez mais promessas de reabilitação. A cúpula alagoana deu uma segunda chance, com algumas condições: multa salarial, termo de conduta e&#8230; palestras com jovens. “O que queremos é ver o Ciel de volta, recuperado e nos dando muita alegria. Estamos dando uma nova chance ao atleta e espero que ele se esforce para se livrar desse mal que é o alcoolismo. Sei que com a ajuda e o empenho da família, dos amigos e de todos, ele dará a volta por cima”, disse José dos Santos Oliveira, o Zé da Danço, presidente executivo do ASA.</p>
<p>Ciel ficou. E depois de 11 jogos, o ASA voltou a contar com um gol dele na partida contra o Santo André. Venceu no Coaracy da Mata Fonseca, e se manteve no meio da tabela.</p>
<p>Se vai dar certo, ou até quando vai dar certo, não se poder dizer. Mas Ciel, aos 28 anos, tem mais uma chance. A torcida torce para que ele, casado, com uma filha, finalmente consiga deixar de lado os problemas extracampo e consiga apenas se concentrar em seu talento com a bola. Arapiraca aguarda.</p>
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		<title>São Bernardo FC: a família Restart do futebol</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 19:26:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julio Simões</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Julio Simões]]></category>

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		<description><![CDATA[
Chuteiras coloridas são uma verdadeira mania entre os jogadores de futebol já há algum tempo. No começo, só os destaques utilizavam calçado colorido, certamente como forma de escancarar a diferença de seu futebol para os outros. Depois, elas se disseminaram e viraram febre até entre jogadores de base, fosse ele um futuro craque ou um perna [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><img class="size-medium wp-image-924 aligncenter" title="sbfc-restart" src="http://www.tirolivre.com/ultimadivisao/wp-content/uploads/2010/08/sbfc-300x185.jpg" alt="sbfc-restart" width="300" height="185" /><br />
Chuteiras coloridas são uma verdadeira mania entre os jogadores de futebol já há algum tempo. No começo, só os destaques utilizavam calçado colorido, certamente como forma de escancarar a diferença de seu futebol para os outros. Depois, elas se disseminaram e viraram febre até entre jogadores de base, fosse ele um futuro craque ou um perna de pau mesmo.</p>
<p>Porém, nunca antes na história desse país, um time praticamente inteiro havia adotado chuteiras coloridas em uma partida. E foi o <strong>São Bernardo FC</strong>, que enfrentou o Juventus pela Copa Paulista com nada menos do que sete dos onze titulares com chuteiras coloridas (três amarelas, combinando com o uniforme; duas vermelhas; uma verde e uma roxa com detalhe rosa). Praticamente uma versão da <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Restart_(banda)" target="_blank">família Restart</a></strong>!</p>
<p><span id="more-903"></span></p>
<p>Intrigado se aquilo seria apenas uma mera coincidência, fui ao banco de reservas e falei com o preparador físico da equipe. Segundo ele, aquilo não era uma revolucionária ação de marketing. &#8220;Muitos meninos ganham as chuteiras de patrocinador, mas não foi nada combinado&#8221;, afirmou. Uma pena, afinal seria um genial golpe publicitário. O problema é que o torcedor teria nas chuteiras coloridas a &#8220;deixa&#8221; para pegar no pé em caso de derrota.</p>
<p><em>Obs.: Ah, a partida terminou em 1 a 1, com gol de empate do Juventus saindo aos 47 minutos do segundo tempo. É&#8230; pensando bem, o sucesso dos atletas do Bernô como ídolos pop dos gramados deve ter subido à cabeça.</em></p>
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		<title>Esportivo x Grêmio: o Jogo da Neve</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 21:09:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emanuel Colombari</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<category><![CDATA[esportivo]]></category>

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		<description><![CDATA[No Campeonato Gaúcho de 1979, Esportivo de Bento Gonçalves e Grêmio protagonizaram uma cena rara no Brasil: um jogo de futebol sob neve]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chegou o inverno, e mesmo o Brasil sente seus efeitos onde a estação é mais rigorosa. No noticiário, a cidade catarinense de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Joaquim_%28Santa_Catarina%29" target="_blank">São Joaquim</a> volta a ganhar destaque – o que dificilmente acontece no verão. Nas ruas das cidades de Sul, Sudeste e Centro-Oeste, as pessoas se escondem sob casacos e gorros. E nas arquibancadas, o vento frio costuma espantar os torcedores – exceção feita a 3.988 corajosos que presenciaram o mais conhecido jogo de futebol do país realizado com neve em campo: Esportivo x Grêmio.</p>
<p><span id="more-894"></span>Foi em 30 de maio de 1979, em partida válida pelo segundo turno do Campeonato Gaúcho. Com três vitórias em três jogos, o Grêmio somava seis pontos (cada vitória ainda valia dois pontos) e era favorito à partida. Pela frente, o Esportivo de Bento Gonçalves - que vinha forte, com cinco pontos em três partidas, e que jogaria em casa, mas justamente contra o campeão do primeiro turno.</p>
<p>Bento Gonçalves, segundo o jornal <em>Correio do Povo</em>, convivia com uma intensa massa de ar polar e com um “clássico cenário para neve com uma alta pressão continental e um sistema de baixa pressão na costa”. Ou seja: no frio do inverno gaúcho, ninguém foi pego exatamente de surpresa com os flocos de neve que caíram sobre a cidade. A possibilidade era real.</p>
<p>Naquele dia, o tempo já frio da Serra piorou às 20h30, tornando menos atraente o gramado do Estádio da Montanha. Mais tarde, às 21h, com temperatura próxima do 0°C, os dois times entraram em campo para encarar o frio. De um lado, o Esportivo do técnico Valdir Espinoza, com Jânio; Toninho, Carlão e José; Raquete, Tovar, Celso Freitas e Adílson; João Carlos, Néia e Rubem. Do outro, o Grêmio de Orlando Fantoni, com Manga; Vilson, Vantuir e Vicente; Dirceu, Vitor Hugo, Paulo César Caju e Jurandir; Tarciso, Baltazar e Jésum.</p>
<p>Sem experiência anterior com a situação, os dois times começaram a partida em ritmo lento. Aos 9min, já com o campo marcado pela neve, Raquete acertou o gremista Tarciso com violência, recebendo cartão amarelo. Segundo o jornalista Ilgo Wink, então correspondente do jornal <em>Folha da Tarde</em> na partida, “os jogadores corriam muito mais para se aquecer do que para jogar bola”.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-897  aligncenter" title="neve4" src="http://www.tirolivre.com/ultimadivisao/wp-content/uploads/2010/08/neve4-300x230.jpg" alt="neve4" width="300" height="230" /></p>
<p>“O Jésum, um ponta habilidoso e rápido, passou perto de mim. Seu enorme bigode estava branco. Mais adiante, o carioca Paulo César Caju com sua cabeleira coberta de neve. Na área, o Baltazar pedia a bola, braços erguidos. Parecia que haviam congelado no ar”, conta ainda o jornalista.</p>
<p>Os frios flocos de neve continuaram caindo no 0 a 0 do intervalo, quando o vento cortante já havia cessado. De um gol, era impossível enxergar o outro, tão ruim era a visibilidade. O árbitro Carlos Martins até mesmo admitia encerrar a partida antes do fim – não o fez, e o segundo tempo permaneceu sem gols. A partida terminou mesmo 0 a 0, com reclamações de Orlando Fantoni a respeito do rival. “É um time muito violento. É o jogo mais violento que já vi aqui no Sul”, dizia.</p>
<p>No fim do encontro, já com o empate sem gols decretado, os quase 4 mil torcedores presentes ao gélido Estádio da Montanha se divertiam com o cenário. O Esportivo de Bento mantinha a invencibilidade em casa, enquanto o Grêmio - como lembrou o jornal <em>Zero Hora</em> do dia seguinte - deixava se somar um ponto “na neve”. Posteriormente, o Grêmio ficou com o título gaúcho, deixando o próprio Esportivo com o vice-campeonato.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-895  aligncenter" title="neve6" src="http://www.tirolivre.com/ultimadivisao/wp-content/uploads/2010/08/neve6.jpg" alt="neve6" width="212" height="300" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>*****</strong></p>
<p>Ainda que o <a href="http://www.gremio.net/page/view.aspx?i=id_767&amp;language=0" target="_blank">site oficial do Grêmio</a> diga que a partida “ofereceu aos torcedores um espetáculo inédito”, o jogo em Bento Gonçalves não foi o primeiro com neve no Brasil. Em 17 de julho de 1975, Juventude e Inter de Santa Maria se enfrentaram em Caxias do Sul, em partida que terminou com vitória de 2 a 0 do Ju. Menos de mil torcedores compareceram ao Estádio Alfredo Jacconi para presenciar o feito.</p>
<p>Também em 30 de maio de 1979, Internacional de Lages e Avaí se enfrentaram em Lages com temperatura de -2°C. No dia seguinte, em Chapecó, Chapecoense e Criciúma mediram forças diante de 177 testemunhas, também com o gramado coberto por fina neve.</p>
<p><em><strong>Informações e fotos:</strong> <a href="http://www.rsssfbrasil.com/tablesrz/rs1979.htm" target="_blank">RSSSF.com</a>, blog <a href="http://oglobo.globo.com/blogs/bolademeia/" target="_blank">Bola de Meia</a>, blog <a href="http://gremio1983.blogspot.com/2009/05/jogo-da-neve-30-anos.html" target="_blank">Grêmio 1983</a> e <a href="http://www.metsul.com/secoes/visualiza.php?cod_subsecao=32&amp;cod_texto=750" target="_blank">MetSul</a>.</em></p>
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		<title>Jorginho Putinatti: “Vágner sempre foi um grande líder”</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 20:02:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Autor Convidado</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Autor Convidado]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Matheus Trunk
Para saber mais sobre a trajetória de Vágner Bacharel, Última Divisão entrevistou o ex-meia Jorge Antônio Putinatti, o Jorginho, ídolo da torcida do Palmeiras nos anos 80. Ele e Bacharel jogaram juntos no clube do Parque Antártica durante quatro anos e fizeram parte do time vice-campeão paulista em 1986. Com a camisa verde, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #999999;">Por Matheus Trunk</span></em></p>
<p>Para saber mais sobre a trajetória de Vágner Bacharel, <strong>Última Divisão</strong> entrevistou o ex-meia Jorge Antônio Putinatti, o Jorginho, ídolo da torcida do Palmeiras nos anos 80. Ele e Bacharel jogaram juntos no clube do Parque Antártica durante quatro anos e fizeram parte do time vice-campeão paulista em 1986. Com a camisa verde, Jorginho fez 373 partidas (entre 1979 e 87) e marcou 95 gols. Atualmente, o ex-atleta mora em Marília, interior de São Paulo e conversou por telefone com o <strong>Última Divisão</strong>.</p>
<p><span id="more-885"></span><strong>Última Divisão: Como era o Bacharel companheiro de grupo?<br />
Jorginho Putinatti: </strong>Ele sempre foi uma pessoa amiga, brincalhona. Com o tempo, nós acabamos formando uma grande amizade. Isso se expandiu pra fora do campo. As nossas famílias saiam juntas inclusive. Dentro de campo, ele sempre foi um grande líder.</p>
<p><strong>UD: Ele chegou a ser capitão do time. Como foi isso?<br />
Jorginho: </strong>O Bacharel era um dos líderes da zaga. Como capitão do time, ele cobrava bastante os companheiros de equipe. Ele era mais novo que o Luis Pereira, mas o Luisão passou muito da experiência dele para o Bacharel. Eles formaram uma grande dupla de zaga.</p>
<p><strong>UD: Na decisão do Paulista de 86, ele acabou não jogando porque estava suspenso. Você acha que isso prejudicou o time?<br />
Jorginho:</strong> Com certeza. A história poderia ter sido outra, a ausência dele fez falta pro time. Ele foi um dos melhores zagueiros do Palmeiras daquele período. Além disso, o Vágner também sabia bater escanteios muito bem e marcava muitos gols.</p>
<p><strong>UD: Muitos jornalistas da época elogiavam ele e reivindicavam a convocação dele para a Seleção. Você acha que é um atleta injustiçado por não ter sido lembrado nas convocações?<br />
Jorginho: </strong>Ele poderia ter sido convocado e lembrado pela Seleção Brasileira. O Vágner era um jogador muito importante naquele grupo do Palmeiras. Infelizmente, naquele momento o clube passava por uma crise interna muito forte.</p>
<p><strong>UD: Nesse ano, completam-se 20 anos da morte dele. Você acha que um jogador como ele deveria ser mais lembrado?<br />
Jorginho: </strong>No Brasil, nem quem está vivo é lembrado. Imagine quem está morto. Pra quem conheceu e quem admira ele, fica a lembrança de uma pessoa querida e amiga.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-886  aligncenter" src="http://www.tirolivre.com/ultimadivisao/wp-content/uploads/2010/08/jorginho-palmeiras-placar-226x300.jpg" alt="jorginho-palmeiras-placar" width="226" height="300" /><em><br />
Nos anos 80, Jorginho foi ídolo da torcida do Palmeiras</em></p>
<p style="text-align: left;"><em><strong>Matheus Trunk</strong> é pesquisador, jornalista e palmeirense; edita também a <a href="http://www.revistazingu.net/" target="_blank">Revista Zingu!</a>, especializada em cinema.</em></p>
<p><strong>Leia mais:</strong><br />
<a href="http://www.tirolivre.com/ultimadivisao/?p=870" target="_blank">20 anos sem Vágner Bacharel</a></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Talento descoberto via Youtube e Facebook</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Aug 2010 13:14:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Allan Brito</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Allan Brito]]></category>

		<category><![CDATA[Emanuel Colombari]]></category>

		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>

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		<category><![CDATA[Rafhael Domingues]]></category>

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		<description><![CDATA[Descoberto via Youtube e Facebook, Rafhael Domingues, em entrevista exclusiva por e-mail para o Última Divisão, contou melhor sua história, trouxe detalhes curiosos e fez elogios a sua "nova" seleção, a Áustria]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A história de Rafhael Domingues é um caso raro no futebol. Dificilmente vai se repetir futuramente. Exemplos parecidos até podem surgir, mas dificilmente algum brasileiro vai conseguir ser novamente convocado para uma seleção europeia apenas por causa de vídeos.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois foi isso que aconteceu com &#8220;Rafinha&#8221;. Via Youtube e Facebook, ele enviou arquivos para o gerente de futebol da seleção austríaca e despertou interesse. Ele estava no Toledo, clube paranaense que foi contactado para liberar o jovem jogador. <a href="http://www.olheiros.net/artigo/ler/1925/futebol_2.0" target="_blank">De lá, ganhou uma chance e debutou nos gramados europeus</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">A estreia do brasileiro pela Áustria não poderia ter sido melhor: apesar das dificuldades, ele decidiu um amistoso sub-18 contra a República Tcheca. Em entrevista exclusiva por e-mail para o <strong>Última Divisão</strong>, Rafhael Domingues contou melhor sua história, trouxe detalhes curiosos e fez elogios a sua &#8220;nova&#8221; seleção. Além disso, ainda revelou suas expectativas a respeito da Copa do Mundo de 2014.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-877"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Última Divisão: Como é a estrutura do futebol de base austríaco? Deu pra perceber se é melhor que a do Brasil?</strong><br />
<strong>Rafhael Domingues: </strong>A estrutura do futebol austríaco é muito boa e está crescendo a cada ano, junto com o futebol austráaco, que esta em uma crescência. A estrutura de lá é melhor que a maioria dos clubes daqui do Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>UD: É mais difícil jogar contra uma seleção tcheca sub-18 ou disputar um campeonato estadual de base no Brasil?</strong><br />
<strong>Rafhael:</strong> É muito mais dificil jogar contra a seleção da Republica Tcheca por dois fatores importantes: primeiro a marcação do futebol europeu, que é muito forte e eles chegam &#8220;firmes&#8221; em todas as jogadas. E outra: o futebol la é diferente, por isso foi dificil e não pude me adaptar muito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>UD: A decisão de &#8220;trocar&#8221; de nacionalidade foi tranquila?</strong><br />
<strong>Rafhael: </strong>Eu tenho a minha dupla cidadania austríaca desde os 11 anos, graças a minha mãe. Ai desde lá sempre tive a vontade de poder jogar pela Áustria.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>UD: Em outros países, como Portugal, Itália e Espanha, há pouca rejeição com jogadores naturalizados. Acredita que pode haver alguma na Áustria e na Alemanha?<br />
Rafhael: </strong>Acho que não. Eles gostam muito de mim lá e acho que não haverá nenhum problema quanto a isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>UD: Como tem sido o contato com os jogadores do time principal do Borussia? Já conversou com o técnico Jurgen Klopp?<br />
Rafhael: </strong>No periodo em que eu estava na Alemanha, os jogadores do time profissional estavam de férias.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>UD: Você conhece algum caso parecido com o seu?<br />
Rafhael: </strong>Caso parecido com o meu nunca ouvi falar e também acho diferente dos demais. Pois fui convocado mandando um video para o gerente de futebol da equipe profissional da seleção da Áustria e isso deu certo. Fui convocado e, graças a Deus, fui bem e fiz 2 gols já no primeiro jogo contra a República Tcheca.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-881" src="http://www.tirolivre.com/ultimadivisao/wp-content/uploads/2010/08/rafhael-domingues-3-300x171.jpg" alt="rafhael-domingues-3" width="300" height="171" /></p>
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<p><div id="attachment_882" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-882" src="http://www.tirolivre.com/ultimadivisao/wp-content/uploads/2010/08/rafhael-domingues-4-300x187.jpg" alt="Sempre conectado, Rafhael costuma atualizar contas no Facebook e Twitter" width="300" height="187" /><p class="wp-caption-text">Sempre conectado, Rafhael costuma atualizar contas no Facebook e Twitter</p></div></p>
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<p style="text-align: justify;"><strong>UD: Não são poucos os casos de jogadores que saem daqui e sofrem golpes na Europa. Não ficou com medo disso acontecer com você? Fez algo para se proteger disso?<br />
Rafhael: </strong>Sim, no começo tive um pouco de medo, mas, depois que o gerente da equipe sub-18 da seleção da Áustria entrou em contato com o clube, eu fiquei mais tranquilo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>UD: Como tem sido a adaptação? Seus pais foram com você?<br />
Rafhael: </strong>Não tive muito tempo para me adaptar, foi uma semana até o jogo. Isso foi um obstáculo a mais para mim passar (sic). E mais um problema foi a língua, já que eu não sei falar alemão. Meu pai foi junto comigo, isso me deixou mais tranquilo, pois tinha com quem conversar (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>UD: Tem algum brasileiro naturalizado como ídolo ou pelo menos como &#8220;espelho&#8221; para o futuro?<br />
Rafhael: </strong>Na verdade meu grande idolo é o Kaká. Acho ele um exelente jogador dentro e fora de campo, gosto muito dele. Eu gosto do Deco, um grande jogador que se naturalizou para jogar na seleção de Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>UD: Como define seu estilo de jogo? Dá pra comparar com alguém?<br />
Rafhael: </strong>Sou um atacante de velocidade, gosto de abrir pelas pontas e partir para cima, tocar e receber nos espaços. Meus amigos falam que meu futebol é parecido com o do Nilmar e o Liédson.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>UD: Até onde dá pra chegar com a seleção da Áustria? Disputar a Copa do Mundo de 2014 é um objetivo possível?<br />
Rafhael: </strong>Com certeza é possivel. Como disse anteriormente, o futebol austríaco está crescendo e uma Copa do Mundo em 2014 no Brasil seria ótimo e acho que tem grande chance.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>UD: Facebook, Orkut ou Twitter?<br />
Rafhael: </strong>Acho os três legais, mas gosto mesmo é do Orkut.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Colaborou Emanuel Colombari</em></p>
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